19/11/2006 - INFILTRAÇÕES POR LAJES REBAIXADAS

INFILTRAÇÕES POR LAJES REBAIXADAS DE SANITÁRIOS
Uma geometria, antiga, a ser entendida
 ( Trecho de laudo técnico para edifício residencial, de mais de 35 anos, em Curitiba / PR - Brasil ) :
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5.1         REBAIXOS SANITÁRIOS

5.1.1      SITUAÇÃO EXISTENTE

5.1.1.1   Os recintos úmidos principais, no edifício vistoriado, possuem pisos formados por lastros, de concreto simples (sem armadura) que operam como "tampas" de rebaixos estruturais, estanques, dentro dos quais se encontram as principais tubulações de esgoto. E tais rebaixos, como mandava a boa técnica, costumavam receber impermeabilização, interna, antes do enchimento com caliça. ( Anexos../..)

5.1.1.2   Essa geometria, hoje abandonada, não constituía imperícia dos antigos construtores; na verdade, até o advento dos tubos e conexões de PVC, os esgotos eram executados em ferro fundido, processo que implicava em junções efetuadas com chumbo, previamente derretido, vertido por simples gravidade.
( Anexo .... )

5.1.1.3   Assim, os dutos, conexões e caixas coletoras eram posicionados, sobre apoios de alvenaria, de tal modo que suas "bocas" resultassem exatamente sob as posições dos aparelhos sanitários e niveladas com a cota da estrutura circundante. Em seguida, o rebaixo recebia enchimento – com areia, terra ou caliça da obra, em camadas umedecidas - sobre o qual assentava o lastro de concreto simples.
(Anexo ...... )

5.1.1.4   As lajes rebaixadas são perfuradas, em cada pavimento, por várias prumadas (alimentadores de água, tubos de queda de esgotos, colunas de "respiro" para escape dos gases produzidos, etc), que se estendem por toda a altura do edifício. ( Anexos .. /.... /...)

5.1.1.5   Para obturar as perfurações e travar os dutos, no fundo do rebaixo, era usual aplicar argamassa comum, "pobre" em cimento(não raro, usava-se socar, nas aberturas, retalhos de papelão ou de pano). Em seguida, as prumadas eram ocultas, em "rasgos" das paredes e/ou sob enchimentos, de tijolos, tipo "encasque", dando origem a câmaras, vazias e desiguais, ao longo do percurso vertical dos dutos.
( Anexos ... / ... )

5.1.2     
FENÔMENOS OBSERVADOS

5.1.2.1   O rebaixo estrutural, em cada pavimento, funciona como captor de água, de diversas procedências, que fica retida, por longo tempo, na caliça compactada (forma-se verdadeira "esponja", encharcada e confinada, sob o lastro). A partir do entulho saturado, a água poderá percolar, lentamente (por dias ou semanas), para o teto imediatamente abaixo (não há como saber se existe impermeabilização nas faces dos rebaixos) e, também, para vários pavimentos seguintes, descaracterizando, a vizinhança imediata (ou contigüidade), como única fonte ou causa de infiltrações.

5.1.2.2   Em outras palavras : embora o "vizinho de cima" possa estar contribuindo (isso é verdade, na maioria dos casos), para infiltrações no "meu teto", será tão impossível medir esta participação quanto afirmar que ele é o único responsável pelos "meus bolores".

5.1.2.3   Assim,reclamações, queixas, discussões, notificações ou ações judiciais, sem o prévio entendimento da "geometria sanitária" aqui descrita, resultarão em grotescas perdas de tempo, de dinheiro e (o que é pior) da pacífica convivência entre vizinhos.

5.1.2.4   Boxes de banho costumam ser protegidos, sob a pavimentação acabada, por uma manta pré-fabricado (ou película, aplicada "in-loco"), que penetra no condutor ( via ralo ou grelha de piso) e assegura esgotamento das águas servidas rumo à fossa ou à rede pública. ( Anexo.. )

5.1.2.5   Pode ocorrer, entretanto, que os rejuntes entre azulejos, imperfeitos de origem e desgastados pelo tempo (xampús, escovamentos rigorosos, limpantes clorados, etc), absorvam a água respingada pelo usuário, saturem a parede e permitam que a umidade, descendo pelos corpos do emboço e dos tijolos, percole por trás e por baixo da manta vedante.  ( Anexo ... / Figura ... )

5.1.2.6   Atingindo a face do lastro, a água formará poças e escorrerá, obviamente, pelos pontos mais porosos que encontrar, tais como: fissura capilar periférica, junções com o concreto estrutural e perfurações para passagem de esgotos. ( Anexos .. /.../.../... )

5.1.2.7  Ou seja: ultrapassado o lastro simples, a água encharca o entulho que preenche o rebaixo e tende a percolar pela porosidade da laje de fundo, por fissuras de retração ou de acomodação, sobre caixas de luz, por trincas ao longo de eletrodutos embutidos e pelas argamassas de obturação das prumadas passantes.
( Fotos .. / .. / ... )

5.1.2.8   Como os gotejamentos ou manchas quase nunca estarão situados sob os pontos de efetivo ingresso da água, resultarão equivocadas quaisquer conclusões (ou "certezas") de que os vazamentos são originários do interior do ralo, da caixa sifonada, da louça, do duto de esgoto e "diagnósticos" semelhantes, que produzirão, no máximo, lucros de encanadores(quando irresponsáveis), e "azedarão", com freqüência,
relacionamentos entre vizinhos.

5.1.2.9   Infiltrações por telhados, após atingirem a laje de cobertura, poderão percolar pelas aberturas que ocultam prumadas de esgoto cloacal, dutos alimentadores de água potável ou de ventilação, escorrendo, também, por vários pavimentos consecutivos e desaguando, ainda que parcialmente, em rebaixos existentes no percurso. ( Anexos ... /.. /.. )

5.1.2.10   Vazamentos em tubos embutidos nas paredes ou discretos escorrimentos, em rabichos alimentadores(de bidês e lavatórios) , bem como em registros e válvulas de descarga, também contribuirão, de forma decisiva, para a saturação do entulho (ou caliça) que enche o rebaixo estrutural. (Anexos ... / .)

5.1.2.11    Lavaduras de pisos, ainda que pouco abundantes ou ocasionais, também contribuirão, de forma importante, para encharcar os rebaixos estruturais e gerar infiltrações até tetos inferiores.

5.1.2.12    Infiltrações por fachadas, após saturar as paredes, percolam por gravidade e são parcialmente retidas por vigas de periferia. Fica evidente que, nesses casos, a laje rebaixada, do sanitário, poderá captar, também, a água infiltrada na parede externa, notadamente naquelas mais expostas às chuvas incidentes que predominam na região. (Anexo .. )

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Nota:                       O texto acima integra laudo elaborado para prédio com lajes sanitárias rebaixadas.  Muitos condôminos, em prédios antigos (acima de 35 anos), têm extrema dificuldade para entender esta "ancestral" geometria construtiva e alguns (que já converteram a briga com vizinhos na única razão de suas vidas ) chegam a ficar irritados com esta explicação técnica.   Sugere-se elaborar um laudo técnico ou, pelo menos, consultar o construtor mais idoso do bairro, a quem deve ser mostrado o texto aqui transcrito.  Esta será a única e escassa chance de começar uma "mexida" geral, no prédio, pois   o problema não tem solução no nível da simples vizinhança .  Isto, quer queiram quer não, exige e impõe uma abordagem coletiva.    

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